Acadêmicos
Elza de Mello Fernandes

 

Elza de Mello Fernandes
Cadeira: 8
Posição: Fundador

Biografia

 Elza de Mello Fernandes nasceu em Içara (26/10/1953) e sempre residiu em Içara. É professora aposentada da Rede Pública Municipal e atualmente atua como Assistente Pedagógico na Rede Pública Estadual. Graduada em Pedagogia pela FURB, pós-graduação em Didática e Metodologia do Ensino Superior pela FFCLR Registro - SP ; Mestre em Ciência da Linguagem pela UNISUL. Casada com Jorgemar José Fernandes, é mãe de Márcia Beatriz, Marcelo e Magali. O gosto pela literatura não lhe dá o direito de escolher um só gênero, embora tenha um olhar de carinho pela poesia, é uma pesquisadora de muita bagagem, especialmente em seu município – Içara. Publicou “Primeiro Poema”, em 1985; “Içara Nossa Terra Nossa Gente”, em 1987; uma edição revisada com o título de “O Município de Içara: Nossa Terra, Nossa Gente”, em 2006; e está no prelo, para lançamento em julho, “Raízes do Saber Popular: os mitos, os ritos e o folclore.” Além de colaborar com o Jornal Içarense. São poemas de sua autoria os que seguem:

Obras

INVERNO




Na ausência do calor
Tomou conta a friagem
Remodelando o verdor
Escurecendo a ramagem.

O frescor dos dias longos
Escureceu a paisagem
Enegreceu os losangos
Da quase morta pastagem.

Nas frias manhãs, a geada
Cobre as relvas de alvura
E a gotas congeladas
Pingam em toda a altura.

Que pena das criancinhas!
Elas não têm agasalhos
Sofrem tanto, as coitadinhas,
Que põe minh’alma em frangalhos.

Quisera agasalhar-te
Meu pobre anjo caído,
Pudera eu te abraçar
Fazendo teu corpo aquecido.



 
Nuances de Vidas em Crônicas



O 5 de outubro é uma data especial para nós, Acadêmi-cos da AILA – Academia Içarense de Letras e Artes. Foi nesse dia de 2007 que nos reunimos, em um Sarau organi-zado pela Silézia Pizzetti e pela Lurdete Gonçalves, coordenadoras da Casa da Cultura Padre Bernardo Junkes, e, com a presença da secretária Municipal de Educação, Terezinha Casagrande Valvassori , e fundamos a atual Associação de Escritores Içarenses. Era um sonho antigo de intelectuais içarenses. Olho a nominata dos presentes e revejo todo o evento. Éramos quarenta pessoas presentes, e que sonhavam com um espaço para expressarmos o fazer literário desde a gênese até a perpetuação. Algumas destas pessoas já não estão mais entre nós: Casimiro Tibincoski, Chico Poeta. Mas assim mesmo eles estiveram presentes e deixaram para a AILA a contribuição que entre nós será eterna. As gerações se sucederão, porem os registros escritos permanecerão e serão acessados por tempos incontáveis. Esta é a valorização da escrita.
Procuro entre os presentes e observo os perseverantes. A primeira assinatura do livro de fundação da Aila é a de Bonifácio Espíndola Neto, uma pessoa idealista, que ama a cultura e tem um imenso potencial. Segue a lista com o nome da Edith Lodetti, atualmente afastada por motivos de saúde. Na sequência vem Sônia Ribeiro Batista, atual presidente da AILA. Ela respira poesia e não mede esforços para manter a AILA funcionando. É éa que nos fornece a sala que denominamos a Casa do Escritor Içarense. Seguindo com o nome de Vanderlei Mendes. Está registrado também o nome do Altamiro Dagostim, Conselheiro de Honra a quem tantas vezes recorremos. Em seguida lêse o nome de Maria Goretti Demos, a amiga de todas as horas, iluminada por uma fé viva e carismática em todos os sentidos. Logo em seguida está registrado o meu nome, seguido de João Paulo de Luca Júnior, Gesiel Silveira Gonçalves, Silézia Pizzetti Agostinho, Leonarda da Silva Fernandes e Maria de Fátima Pavei.
Pois bem, da lista de quarenta presentes sobraram nove. Estes permaneceram e fizeram solidificar a idéia, fortalecidos por novos convites, e novas adesões. Agora, organizada é hora de solenemente dar posse aos 22 acadêmicos, no próximo sábado, dia 9: Alcides Goulart Filho, Alveri Barbosa, Bonifácio Espíndola Neto, Adaise Felipe Luiz, Ederaldo da Silveira, Ellen, Elza de Mello Fernandes, Gesiel Silveira Gonçalves, Geovani Duarte Oliveira, Giane Rabelo, Iede Cardoso dos Santos, José Vital Estácio,João Paulo de Luca Júnior, Leonarda da Silva Fernandes, Maria de Fátima Silveira Pavei, Maria Goretti Demos, Maria Zélia Réus, Maria Zélia Rodrigues, Ronaldo Davi, Silézia PIzzetti Agostinho, Sônia Ribeiro Batista e Vanderlei Mendes. Há outros que não estarão presentes devido a problemas de saúde e em outra ocasião serão também solenemente empossados.
O produção literária da AILA está expressa nos vários lançamentos que a Casa da Cultura anuncia e que as livrarias oferecem aos leitores. Um dos escritores com mais produção literária é Gesiel Silveira Gonçalves com uma variada bibliografia e a produção de uma revista – Gêneses. O professor Alcides Goulartti Filho é autor e organizador de várias obras de pesquisas acadêmicas, uma contribuição sólida à UNESC, a Instituição de trabalho. Alguns acadêmicos que ainda não possuem obras, já direcionam os escritos para um próximo lançamento. O lançamento mais próximo será a edição “Eco de Duas Vozes”, uma parceria das escritoras Fátima e Elza e marcada para ser lançada em outubro na Casa da Cultura.

 
Aquém dos trilhos Vidas em Crônicas (8)



O telefone tocou e da voz suave de Jane Tibincoski, do outro lado da linha veio o con-vite: que tal falarmos de poesia na próxima segunda-feira, dia 14 de maio? Mentalizei a data e recordei – Dia Nacional da Poesia. E então o convite estava consolidado. Afinal, o que pode haver de mais belo que uma poesia? O Dia Nacional da Poesia é comemorado no nascimento de Castro Alves, o condoreiro da poesia brasileira, o poeta dos escravos e, sobretudo, o poeta romântico que soube expressar em palavras a inspiração poética.

E o Dia Nacional da Poesia é dedicado aos que expõem entre rimas e versos o ser lírico, as emoções e sentimentos, a sensibilidade criadora. A poesia que antigamente era embalada ao som da lira, na voz de um seresteiro, ou em um madrigal. Atualmente os poemas fazem parte de um gênero literário e os poetas constroem a sua obra literária em versos livres, com ou sem rimas.
São textos que, se bem direcionado no ensino-a-prendizagem se tornam um recurso didático-pedagógico. Vale lembrar que as rimas são de fácil memorização.

Depois pensei nos poemas ternos e sensuais de Maura de Senna que buscou nas belezas naturais da ilha de Florianópolis, a poesia matuta, sensual e lírica jogada de seu cântaro de ternuras.
Maura é a mulher que deixa escorrer nos versos a sensualidade e o recato feminino. Então entrei pela porta entreaberta que o Dia Nacional da Poesia deixou escancarada e revi versos inspirados de poesias que falam de coisas e de vidas içarenses: não faz tanto tempo, eu lembro claramente/o ginásio, o clube, as casas e a atriz/ somente a rua principal com calçamento/ e o içarense trabalhador e feliz.
Pelo olhar poético a vida içarense dos anos sessenta eram sonhos, com sonhadores audaciosos que construíam com labor entre as muitas casas, lares cheios de esperanças. E a esperança era perceptível nas cirandas que as crianças cantavam na boca da noite, na música que os adultos reviviam nas festas com as cantigas da tradição italiana, nas lições que os alunos estudavam com o desejo de serem os primeiros da classe, de ter um boletim com notas que fizessem os pais felizes.
Na casa organizada por mães e esposas dedicadas ao lar. Hoje: ...chinelos somando mais de cem anos/balançam na varanda..../ o corredor range cansado/das pisadas arrastadas/no constante caminhar... do quarto, lembrando berçário,/evola-se cheiro antigo:/naftalina, benjoim, alfa-zema e lavanda... é Sônia versejando a visão de um asilo . É a vida que envelhece na distância do sonho produzido. E minha colega Leonarda completa dizendo: vou buscando o meu es-paço / entre um riso ou um abraço/ deste povo que eu amei. E então a poetisa acordando do idílio sonoro da poesia perguntou: cadê aquele povoado daqui/ que marcou a minha infância adormecida?/e aquela ruazinha que existia ali /no lugar dessa praça desconhecida?
Falar de poesia é falar liricamente em cada estrofe que a inspiração constrói e que a literatura guarda com carinho por muitas gerações.
Faz poema quem tem na alma as nuances da poesia e sabe musicar os dons que a natureza coloca em nosso berço ou em nossas vidas.
Parabéns a todos os poetas!

Coluna do Jornal Içarense/2010.

 
IÇARA



Quero cantar as belezas desta terra
Falar do verde das belas içarobas
e as cantigas ao balanço dos flabelos
Os pássaros nas manhãs em algazarras
E o índio entre os ipês e as perobas
A Murmurar Içara,
Içara...nome belo!



O rendilhado das espumas, às vazantes
chegando à praia ao balanço das marés
e o espelho das águas das lagoas
refletindo os luzeiros cintilantes
despertando no içarense a crença e a fé
de que Deus é "catarina
" e o abençoa.


Parece que
o criador em aquarela
pintou este pedaço bem lá no princípio,
passando tintas, em matizes, numa tela
Desenhou o meu belo município
e trouxe para cá o povo açoriano,
Depois...afros, poloneses, italianos...


 


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